Abre a janela
Agarra a luz com as mãos dos olhos
Sente o cheiro suave das nuvens
Ouve o ritmo
que brota em teu peito
deixa bater e deixa sair
junto com o ar dos pulmões
Inspira o momento
e dança como se ninguém
estivesse vendo
16 março 2007
Saborear saboreando
09 março 2007
08 março 2007
agora pensa!
Ele sonhava...sonhava.
O horizonte parecia tão apagado.
Suas mãos apenas acompanhavam o movimento.
E sobre seus ombros um grande vazio.
O olhar tão longe não faz sentido
Continuar o que parece não ter fim?
Solucionar suas dúvidas era prioritário.
E enxergar de perto dava maior segurança.
Apenas pare e saiba observar.
Assim questões são respondidas.
06 março 2007
bicudo

o brasileiro ernesto bicudo representava pela terceira vez consecutiva essa nação apaixonada pelo esporte. era ídolo. figura tarimbada nos cadernos esportivos e nos grandes veículos de comunicação. eram os últimos dias de preparação para o XXXVIII Campeonato Mundial de Bolinha de Sabão.
se mostrava confiante em todas as coletivas. queixo erguido e demonstrações de que dessa vez traria um melhor resultado do que o bronze alcançado em bangalore. pronto para a glória. decidido a se consagrar como o maior nome de todos os tempos, número um no hall da fama.
entretanto escondia de todos, inclusive de seu treinador, uma grave lesão. lhe ocupava a cabeça o pensar que esta poderia ser sua última participação em campeonatos de alto nível devido a contusão que durante os últimos 6 meses vinha lhe incomodando. o problema era o mesmo que já havia aposentado grandes nomes do desporto, como john smack, álvares bitoca e geovanni baccio. a temida contusão no lábio inferior, conhecida genericamente por todos como "contratura do biquinho".
biquinho......isso mesmo, biquinho. sentia dores horrendas cada vez que encolhia as bochechas, projetava os beiços e assoprava. durante os treinamentos segurava duro, precisava da confiança da sua comissão técnica. não podia se abater. se mantinha focado! mas bastava seus próximos se afastarem e pronto. chorava em prantos, abria o berreiro. era quase triste a cena.
...enfim, resumirei a historia pra vocês.
semifinal da trigésima oitava edição do campeonato e bicudo, que agora já confidenciara a sua tia doca seus problemas, enfrentava o campeão da turquia. sujeito marrudo, um brucutu. com técnicas otomanas de segurar o potinho com sabão, era um desafiante e tanto!
ernesto tentava contornar aquele sentimento. pensava em tudo que vivera até ali. o famoso "filminho" que todos dizem passar em momentos especiais. ao fundo, nos camarotes, tentava enxergar sua querida tia e quem sabe dali reaver suas forças. ela num gesto carinhoso segurava um cartaz, com as singelas palavras: SEGURA O CHORO MULEQUE!!....e ele segurou, segurou, agüentou firme! venceu o turcão pela vantagem de apenas 8 bolinhas.
e agora a um passo do grande objetivo e diante de tanto esforço, tanta luta, e momentos inesquecíveis só lhe passava em sua cabeça um estranho pensamento: "fazer bico e chorar...ah isso eh normal num eh!?"
02 março 2007
sol e lua
o teclado é prata. e os raios num tom de azul calejado. em meio ao breu, ele ousa acender. a estranha melodia será ouvida novamente. por todos os dois.
com os olhos agora abertos e voltados para o alto, balança a cabeça. olha para o lado e vê aquele ser querido, que com o tempo ruma ao silêncio e o caos, todavia sempre calçando suas presenteadas e queridas pantufas.
mesmo parecendo ser água, a caninha tem seu cheiro característico. escova a cremalheira. através da veneziana vê outras janelas, fechadas. e também um painel, parecem distribuir senhas. talvez seja o inss e aqueles velhinhos maltratados por todos nós.
o ruído do portão, o olhar, e às vezes o cumprimento. rápido e raro. outro movimento, diferente, contínuo, são 6h13min42seg, sol e lua ainda dividem o pequeno teto. ele ali, parado, esperando a resposta. cadê ela?
algumas dezenas de passos, centenas até. ao ver aquela insígnia estampada em uma tora oriunda da serra da mata, ele relaxa. mas seria a melhor opção?
um novo sinal e já são quatro rodas a mais, centenas de destinos e um guia. somente um guia. ah, mais um fiscal é claro. afinal, o teletransporte é uma obrigação do estado.
segue para o piso superior. no vidro embaçado pela gordura do dia anterior, sua imagem não pode ser refletida. mas por quê tentar vê-la? por quem ele procura jamais se importaria com isso...
27 fevereiro 2007
pra começar....

Foi sem dúvidas, uma das guerras mais cruéis do "breve século XX", um verdadeiro holocausto, como se pode verificar nas cenas do filme Corações e Mentes. Foi ainda a primeira guerra com cobertura televisiva maciça.
Numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.
25 fevereiro 2007
Parte 5
BAAAAM!!!
o menino estava no chão, imóvel.
Centenas de rostos miravam seu corpo estendido na terra seca. Para uns, silêncio e temor...o guerreiro com o qual o rei sonhara havia caído com uma única espadada do gigante depois de um movimento mal esquivado pelo menino. Para o outro lado do confronto, não fazia diferença, pois sequer temiam um suposto garotinho estrangeiro "escolhido" para vencê-los na batalha.O Grande tigre branco Kasotoru nao se expressava diante do desespero do rei e continuava a olhar para o menino deitado como se nada tivesse aocntecido.
O calor era intenso e ao abrir os olhos, o menino avistou ao longe, atrás das hordas de soldados uivando um lago. Ah sim! Aquele era o laguinho do Vilarejo de pedreiros Fwa-hul! Ele havia voltado para casa e com que saudades estava daquele lugar! E poderia ser em um momento melhor? O menino suspirou e encostou a cabeça no chão de sua terra natal e olhou para o céu. E eis que no céu havia uma grande nuvem, e essa nuvem o fez lembrar de um amigo que conhecera no Japão na cidade de Ishikawa, norte da ilha de Honshu. Buruno San era mestre em astrologia e podia interpretar sonhos e horóscopos. Ele dissera uma vez ao menino que as grandes cumulus nimbus eram nada menos que mensageiras dos astros.E ali estava uma verdadeira cumulus nimbus que se revirava e tomava forma logo acima dele. O menino começou a perceber que a nuvem tomava a forma de um gigantesco tigre e logo uma voz grave era ouvida em toda a região:
"Lembre-se...lembre-se de quem você é e confie em si mesmo...lembre-se...sua jornada ainda não acabou...lembre-se..lembre-se"
Era Kasotoru a nuvem! O menino se levantou enquanto o tigre se desfazia e a nuvem corria para o horizonte.Ao olhar à sua volta, sua visão se inundou com a imagem de todos aqueles soldados que não acreditavam na cena do menino se reerguendo.O menino olhou uma ultima vez para a nuvem que agora caía sobre o horizonte e ouviu em sua cabeça "lembre-se de quem vc é..confie em si mesmo"
O Rei se dirigiu ao menino que tirava a pesada armadura que lhe deram. "o que fazes? queres perecer de vez?"
O menino nada disse. Se livrou da parafernalha das ombreiras, cinturão, joelheiras, etc, tomou uma única pedra e colocou em sua funda..
continua...
17 dezembro 2006
Wondering when savior comes
pelos prédios, árvores e gigantes cercado
restava ele: único inútil: culpado
por ser único entre tantos
e inútil como antes
entre prédios, árvores e gigantes
esquecido por todos os santos
imaginando quando vem o salvador
e o lugar onde não haverá mais dor
nem prantos
nem atropelamentos nas ruas
nem saudade
nem vergonha das pessoas nuas
nem maldade
"os últimos dias"
dizem-lhe os gigantes
"do começo dos sofrimentos"
completam as árvores
ao que os prédios apontam
com suas garras aos céus
"os sinais dos tempos"
o tempo incontável,
soberano imperioso
nossa posse e nosso dono
"tudo já tinha seu tempo determinado
antes mesmo de tudo se haver criado"
e como pode haver "antes" antes de tudo
se mesmo o tempo veio com o mundo
ali, cercado, único inútil
agora se sentindo desesperado
deseja abraçar o mundo,
sentir seu peso
e assim se dá conta
de quem carrega quem nas costas
resolve andar
resolve correr
contra o tempo,
contra os prédios,
as árvores
e os gigantes
e quem sabe o salvador
estejá lá como antes





