31 agosto 2010
Óleo em tela
20 agosto 2010
?hay amor?

só algumas horas, alguns minutos e logo você percebe como eles são sofridos.
a gente não precisa sair do Brasil pra ver gente miserável. a gente não precisa sair do nosso bairro, seja ele qual for, rico ou pobre, para ver pessoas marginalizadas. só precisamos ir até a próxima esquina ou andar alguns quarteirões e até lá você verá uma criança, um velho, uma mulher, uma família em condições subhumanas.
na Bolívia eles tem ainda menos. pobreza nas cidades. pobreza no campo. pobreza em todos os cantos.
nós vemos tanta riqueza no Brasil que parece que em nossas cabeças, vamos organizando as coisas num equilíbrio que julgamos ser o "normal": muitos com muito e muitos com pouco. "- e é assim".
na Bolívia todo mundo tem pouco. ninguém tem nada. (lógico que existem alguns bolivianos endinheirados, mas eles são raridades e não por menos parecem se esconder).
pq eles não tem as mesmas condições que vc e eu?
a resposta "lógica" disso passa pela história econômica do mundo e da Bolívia.
a pergunta que a gente deveria tentar responder é pq ainda tanta gente sofre no mundo e nós só assistimos?
Janela para o amanhã
A luz acordou o homem, que tinha a impressão de ter acabado de pegar no sono. Sabia o motivo dessa insônia que também dominava o resto do grupo e talvez a milhares de outras pessoas que também presenciaram os acontecimentos da última semana.
Depois de se abaixar para recolher uma migalha, uma mão oferecia o pão ao homem que colocava pedras sobre esperanças. Uma mão grande e marcada por uma cicatriz não merecida. Era ele, o homem barbado que mostrava um sorriso sereno era o mesmo que havia estado com eles nos três últimos anos mudando todos seus paradigmas. Havia reensinado aquele homem a pescar e também a viver, porque não sabia. "Tomé, disse ele, toque minhas mãos. Agora, homem, pare de duvidar e creia!"
E ele creu, e riu da própria incredulidade, abraçado ao Mestre novamente. Ele havia voltado pra casa! Todos comeram juntos e o Mestre se despediu entre as nuvens.
Foi na praia no dia seguinte que pode pensar em tudo que havia ocorrido. O Mestre havia voltado pra casa como tinha avisado. E haveriam de estar juntos um dia novamente! Dali em diante esse seria o seu amanhã. E cria que podia viver para esse amanhã somente. Pela janela aberta via a pesca, as nuvens, o Mestre. O trabalho, a recompensa, o reencontro.
01 junho 2010
um mundo pra finalizar
Alguns podem até entender o que voce quis dizer
Mas a maioria só vai estar la para te abater
As vezes parece que o sono dominou o mundo
Como acordar alguém de um sono tão profundo?
A mente vagueia pela noite escura em busca do seu lugar
O corpo vai atrás, captando com os sentidos até o que não dá pra explicar
Fiel mesmo é a música. Te segue do berço à cova em alto tom
Dando sentido às atividades da mente do corpo em forma de som
Mesmo triste voce sorri
Seus olhos continuam iguais
Mas o entorno deles não mais
Um ovo pra fertilizar
um pulso pra estabilizar
um corpo pra desodorizar
uma vida pra infernizar
uma criança pra traumatizar
jovens pra modernizar
cidadãos pra aterrorizar
gerações pra dessensibilizar
Obsessão te faz trabalhar noite dia atrás dos mesmos sonhos
E a sensação de estar sendo observado por um mundo medonho
Quão desapontados ficariam os Inventores Idealistas Pioneiros Desesperados Filósofos Mortos
Ao ver tanto potencial em nossas mãos desperdiçado em pura ganância?
Sou eu um prisioneiro dos meus instintos ou os meus pensamentos são livres como barcos desamarrados do cais?
Assim como a musica é liberta do coração,
O seu tempo livre é para libertar mentes ou fechar essa prisão?
Noite após noite..
voce apaga a luz e o sono não vem
Não pode ser só isso.. tem que haver algo além!
Uma mesa pra organizar
um produto pra mercantilizar
um mercado pra monopolizar
uma causa pra indenizar
líderes pra escandalizar
inimigos pra neutralizar
fúria pra tranquilizar
armas pra sincronizar
cidades pra vaporiz--.
Ize of the world - The Strokes
tradução livre leve solta
02 maio 2010
O romance está morto
A juventude... nós, eles, aquela espécie esquisita, sempre indignados com o mundo e bravos consigo mesmos. Depois que os desenhos na TV perdem a graça, o que vêem pela frente é o chato mundo dos adultos (aqueles que saem todo dia pra trabalhar e depois desabam no sofá depois de tentar colocar a casa em ordem).
10 abril 2010
escrava dos escravos

Woman Is The Nigger Of The World
Sim, ela é...pense nisso
A mulher é o escravo do mundo
Pense nisso...faça algo sobre isso
Nós a fazemos pintar o rosto e dançar
Se ela não for uma escrava, dizemos que elas não nos amam
Se ela é real, dizemos que ela está tentando ser um homem
Enquanto a colocamos pra baixo, fingimos que ela está por cima
A mulher é o escravo do mundo, sim ela é
Se você não acredita, dê uma olhada em quem está contigo
A mulher é o escravo dos escravos
Ah, sim...
Nós a fazemos parir e criar nossos filhos
E depois as deixamos de lado por serem mães gordas como galinha
Nós dizemos que elas só devem ficar em casa
E depois dizemos que são muito anti-sociais para ser amigas
A mulher é o escravo do mundo, sim ela é
Se você não acredita, dê uma olhada em quem está contigo
A mulher é o escravo dos escravos
Ah, sim...
Nós a insultamos todo dia na TV
E nos perguntamos por quê lhe falta coragem ou auto-confiança
Quando jovens, tiramos delas a promessa de liberdade
Enquanto as mandamos serem pouco inteligentes, as culpamos por serem tão burras
A mulher é o escravo do mundo, sim ela é
Se você não acredita, dê uma olhada em quem está contigo
A mulher é o escravo dos escravos
Ah, sim...se você acredita em mim, melhor gritar sobre isso!
01 abril 2010
laranjada

era uma vez uma laranja.
não era laranja, nem amarela: era verde.
na pilha com as irmãs ela se destacou.
foi escolhida, viajou muito.
andou de caminhão, de carro, de carrinho.
conheceu novos lugares. novas pessoas.
morou um tempo no pólo sul.
adorava aquela brisa quente que por vezes soprava.
foram muitas experiências até que amadureceu.
...
na mesa de jantar, a surpresa:
ela era descascada, descascada, descascada...a cobrinha não tinha fim.
até que se chegou a um pequeno caroço, no centro de tudo.
casca e caroço.
só.
...
era uma vez uma laranja-casca-amarela.
que não era mais laranja. era só casca amarela.
foi pro lixo.
10 fevereiro 2010
Virtual
Entrei faminto no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar o momento de que dispunha para relaxar, depois de uma manhã cansativa consertando bugs de um sistema.
Pedi um filé de peixe, uma salada e um suco de laranja, comida bem leve.
Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
— Tio, dá um real?
— Pô, nem da garoto!
— Só uma moedinha pra comprar um pão aê tio!
— Beleza, compro um pra você.
Minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído. Ah, essa música me leva a Londres e a boas lembranças .
— Ô tio, pede aê pra colocar margarina e queijo também?
Percebo que o menino está com muita fome.
— Opa, beleza, peço sim!
Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.
— Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente pra ele, por favor!
Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:
— Tio, o que você está fazendo?
— Estou lendo uns e-mails.
— O que é isso?
— São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via internet.
Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:
— É
— Tio, você tem internet?
— Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
— Como é a internet, tio?
— É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.
— E o que é esse virtual, tio?
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e começar a comer.
— Virtual é um local que imaginamos algo que não podemos pegar ou tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase
— Legal esse virtual. Gostei!
— Garoto, você entendeu o que é virtual?
— Sim, tio, eu também vivo nesse virtual.
— Você já acessou a internet alguma vez?
— Não tio, mas meu mundo também é desse jeito... Esse virtual ai. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno, que vive chorando, as vezes dou farinha de milho para ele pensar que é uma comida gostosa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, porque ela sempre
Fechei meu notebook, segurei antes que as lágrimas pudessem cair sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel come de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!







