primavera em são paulo. a temperatura beirava os 32ºC. era meio-dia e pouco quando parei no ponto de ônibus.
as pessoas pareciam ser as mesmas das semanas anteriores. os mesmos seguranças de banco com o olhar desconfiado, os pequeninos alunos e mães cuidadosas em frente a escola, os frentistas centrados com que combustível encher o tanque , os motoboys apressados, os motoristas estressados, os passageiros hipnotizados e os manobristas sonhando dentro de uma lamborghini alheia.
tudo, a primeira vista, parecia normal. até o dono da banca de jornal, vestia a mesma camiseta vermelha da revista piauí. e eu parado, a espera de ver apontar no horizonte algum veículo azul de grande porte, meditava. com o olhar fixo no jardim em construção a minha frente, buscando algo no vazio, eis que me reencontro com ela.....(talvez.....)
digo talvez pela incerteza que me ocorre. era tão parecida, tão cinza com aquele colorido no lombo, tão esfomeada, tão ratazana de asas, tão perneta!
era incrível reencontrar(?) com aquele espécime (ou linhagem?) novamente!
faziam meses desde o primeiro encontro. pernetinha, ela pulava e ciscava, pulava e ciscava. não perdia pras outras, mas também não era obesa. era saudável, apesar da perna.
o tio "piauí" foi rápido quando a viu. buscou um pãozinho duro escondido embaixo do balcão, enfiou num copo cheio de água, desmanchou-o e atirou no gramado.
ela partiu pra cima, como quem já esperasse o bondoso ato. ficou ali alguns minutos se empanturrando até que aparecesse o primeiro sabiá. dividia numa boa o almoço.
problema foi quando a outra apareceu. voa pra cima de uma, que voa pra cima da outra, comem um pouco, lembram da outra, se esbarram, se esquecem da comida e saem em disparada rumo ao nosso céu azul do trópico de capricórnio.
lá foi a pomba perneta, sobreviver a mais um dia em são paulo.
27 outubro 2008
sobrevivência
26 outubro 2008
"Ô, ô, ô, o Coringão voltou"
de lá pra cá, demos carrinhos, driblamos, pressionamos, fomos expulsos, xingamos, vibramos, goleamos!
literalmente, saltamos os obstáculos!
em 25.10.2008, o sol brilha em preto e branco!
hoje nós estamos de volta!
no pacaembu: 35 mil vozes
na conta do timão: 2 a 0 e a folga
no placar eletrônico, o resultado: barueri 1 x 2 paraná
.....um só arrepio
em milhões.....

cantemos em uníssono nação corinthiana:
"Ô, ô, ô, o Coringão voltou"
24 outubro 2008
não votar!
"No sistema em que vivemos, participar das eleições, votar num ou noutro partido, num ou noutro candidato é dar o nosso aval a toda podridão repugnante que é a política oficial. Neste sistema, votar é apoiar as classes exploradoras e seu velho Estado que há séculos oprimem e mantêm o povo na miséria (...) Um sistema de privilégios absolutos dos ricos e de injustiças e engano para os pobres. Votar é legitimar este velho Estado burocrático e seu regime democrático burguês de exploração, opressão, miséria, violência e corrupção. (...)
Essa democracia burgugesa-burocrática é falsa, estreita, hipócrita e corrupta. Dizem seus defensores com sua propaganda milionária que o voto é o poder do povo decidir sobre seu futuro. Não, isto é cinismo e pura enganação! A verdade é que o povo é obrigado a votar, de tempo em tempo, apenas para eleger quem vai decidir em seu lugar e contra seus interesses. Essa democracia é um sistema de 'partido único', do partido dos exploradores, dos bilionários e sanguessugas. Embora nas eleições concorram muitas siglas e nos parlamentos atuem várias, todas elas servem ao mesmo objetivo de manter a ordem de exploração do capitalismo burocrático. (...) São várias cabeças de um corpo mostruoso, classificados em três posições que eles mesmos denominam de direita, centro e esquerda, para encenar democracia, pluralismo, liberdade, direitos e dar credibilidade e legitimidade ao sistema de exploração e opressão a que servem.
Vivemosdebaixo da propaganda de que a democracia no país está consolidada, de que é pleno o 'Estado democrático de direito' e o que faltaria é o povo votar certo para não eleger políticos corruptos. É como afirma a propaganda da Justiça Eleitoral de qu o povo é o culpado pela corrupção e safadeza dos governantes. Só que nos últimos 20 anos, em cada eleição, dezenas de milhões de pessoas, têm boicotado a farsa eleitoral não comparecendo para votar, votando nulo ou em branco. (...)
O que vivemos de fato é muita mentira, enganação mais e mais corrupção e violência contra o povo. Qualquer manifestação popular em defesa dos mais elementares direitos é brutalmente reprimida. Os aparatos policiais já não se contentam mais em espancar o povo com cassetetes e gás lacrimogênio, agora a ordem é atirar. Nunca a polícia matou tanta gente pobre na cidade e no campo. A matança de jovens pobres tornou-se rotina. (...)
Não nos enganemos, o Brasil já passou por todos esses partidos (PDS, PFL, PMDB, PSDB, PT/PSB/PDT/PCdoB) e nada mudou. Nem mesmo as mudanças demagogicamente prometidas por esses políticos de carreira, eleição após eleição, podem ser feitas por eles. Menos ainda podem realizar as verdadeiras mudanças tão necessárias. Estas não podem ser realizadas dentro deste sistema eleitoral farsante e corrupto, montado exatamente para manter inalterado o sistema de exploração e corrupção vigente. A questão democrática de fato, ou seja, a instauração de uma verdadeira República Democrática, nunca foi resolvida no Brasil. (...) O povo tem que tomar o Poder para fazer a mudança geral e completa!
Os problemas do Brasil são estruturais e seculares, suas resoluções exigem transformações profundas e radicais que só a mobilização das massas populares em torno de um programa revolucionário pode realizar. Porque só uma revolução pode varrer tanta exploração, miséria, injustiça e violência sobre o povo trabalhador. Acabar com este velho Estado, esta verdadeira máquina de corrupção, varrer o atraso e a secular pilhagem estrangeira da nação.
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(Trecho do panfleto 'Não Votar!', distribuído pelo Comitê Popular Revolucionário Clandestino. O texto traz mais algumas informações sobre formas de organização popular, entretanto preferi destacar/copiar as partes mais relacionadas a 'festa' deste domingo. da qual eu, vc e milhões de outros iremos participar. alguns animando a festa, outros de palhaços, mas todos 'obrigados' a ir, assim como àquele aniversário de 68 anos da sua tia-avó........não vote, falte, anule, justifique, pague 2 reais de multa...........ou como andei pensando ultimamente, se encontrar alguém q troque...troque o seu voto, nem q seja por 10 mangos, pegue a quantia e ajude algum dos muitos marginalizados pela sociedade. um bem infinitamente superior do que 'decidir o futuro de sua cidade'!)
14 outubro 2008
viva la vida

Eu sempre comandei o mundo
Com uma palavra fazia céus e águas
Corria com as corsas, voava com as águias
Agora sozinho no túmulo
....
Era eu quem jogava os dados
via o medo dos exércitos armados
A multidão aguardando a minha lei
Vida longa ao novo Rei!
Uma hora eu tinha a chave
Noutra era cercado de grades
Só o insensato constrói uma casa
sobre a areia e sob o vento que a arrasa
Ouve os sinos de Jerusalém batendo!
A cavalaria do Império irrompendo
Sejam meu reflexo, minha espada, meu escudo
Meus missionários longe pelo mundo
Por alguma razão que eu não sei dizer
Aguento sem merecer
...
Como um vento impetuoso
Eu entrei na casa em que se assentavam
Um som surdo e grosso
E fios de fogo me anunciavam
Conseguiram entregar minha cabeça
Como um prêmio numa bandeja
Segui vontades que não eram a minha
Paguei a quem me devia
Água e alimento eu partilhei
Do que aconteceria, avisei
Das tormentas salvei
À mesa, a mão de um traidor encontrei
Quem iria querer ser rei?
Ouve os sinos de Jerusalém batendo!
A cavalaria do Império irrompendo
Sejam meu reflexo, minha espada, meu escudo
Meus missionários longe pelo mundo!
Mesmo depois de tudo que me viu passar,
Ainda assim Pedro vai me negar
Por alguma razão que eu não sei dizer
Devo aguentar sem merecer
A verdade, eu sei
Vida longa ao Rei
10 outubro 2008
Hoje

Como é bom estar cansado, com os pés doloridos, a roupa suja, o rosto queimado do sol...
Como é bom estar cansado da diversão e alegria.
Hoje estive livre, livre das preocupações, livre das cadeias sociais...
Hoje foi um dia singular.
Sentirei saudades de hoje, porque hoje ganhei o melhor presente do dia das crianças!
Hoje foi um dia renovado como o sol que nasce a cada manhã.
Inexplicável o sentimento de ver o brilho de volta naquele garoto sonhador. Novas esperanças
em uma delicada menina, como um algodão deve ser!
Hoje renovei o espírito, fortaleci o corpo e esqueci dos pesadelos quotidianos.
Hoje tudo transformou-se em algo agradável. O modo de pensar e tornou-me resignável de mim mesmo.
Hoje vou dormir com o coração brando e feliz!
Por hoje, muito obrigado!
22 setembro 2008
Missa de 7º dia --- Nossos últimos dias?
quando a vida acaba?
quando deixamos de respirar?
quando esquecemos pq vivemos?
quando acabamos com a nossa vida?
a vida acaba?
no sétimo dia ele(a) escuta?
por uma vida q termine em 7.
7 dias são o bastante,
o bastante pra q se inicie uma nova contagem.
em busca do sétimo e último,
último dia, último minuto, último fôlego.
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um sábio me disse, refletindo a respeito da vida, o porquê de nunca encontramos vida inteligente no espaço e/ou será que estamos sozinhos num universo infinito.
que o LHC, incrível acelerador de partículas recém-inaugurado e recém-quebrado, responde aos infindáveis anseios terrenos: todas civilizações evoluíram....evoluíram....até criarem "seu LHC" e acabarem com seus mundos sendo digeridos por um buraco negro produzidos por eles mesmos.
a sabedoria é um dom incrível....................................como você usa a sua?
17 setembro 2008
cão
Era um cachorro velho, mas ainda corria bem rápido quando uma das crianças o provocava. Sabia que seu esforço seria recompensado. E o riso das crianças era pra ele um alívio, porque os cachorros sentem, não sei como, se o clima está alegre ou alguma coisa não vai bem.
Seu dono era cada vez mais ausente, saía sempre de casa bem cedo e afagos pela manhã ficaram cada vez mais raros. Disputava a atenção das crianças com o playstation3, sem muito sucesso. A dona sempre o alimentava, mas nunca foi muito efusiva.
Aquele dia não estava nada diferente dos outros, senão por um detalhe. Iohan ao sair para o trabalho de manhã, tinha lhe olhado os olhos com ar triste e desanimado, largando-lhe a mão na cabeça por algum tempo, dizendo-lhe algumas palavras que não conhecia. Estava desencantado com o mundo, era a impressão que dava. O cão acompanhou o dono até o portão e ali sentou, de guarda, pensativo: tom de voz triste.........carinho gostoso!.......olhar perdido..........carteiro atravessando a rua.........cheiro de torradas..........carente.........cachorro grande vindo.......xixi
E foi até o canto do quintal para demarcar seu território. Enquanto ainda erguia a pata traseira levou um susto. Achou ter visto um vulto se embrenhando no pomar... crianças ainda na escola! era um invasor! Com as orelhas em riste, sentiu seu corpo se tonificar como ha tempos nao sentia, e correu cauteloso até a pitangueira, sentindo um estranho cheiro de queimado. Parou para observar e tentar ouvir algum movimento do intruso. Um barulho de folhas sendo pisadas atrás da videira! O cão soltou um latido grave e prolongado. Silêncio.....De repente um sussurro no ar o fez latir ainda mais forte. Um som agora irritante, agudo e doloroso nos seus ouvidos. sombras agora passeavam no pomar, um vento frio passou e o barulho, que começava a cessar...
Uma vez o cãozinho teve um sonho em que uma sombra falava com ele. Ela lhe contou segredos dos humanos: que eles não viam certas coisas e que não ouviam tudo também. Que os cães e outros animais podiam perceber coisas que os humanos levam uma vida para começarem a entender. Que os humanos sabem tanta coisa que não sabem o que fazer com isso.
Tudo se aquietou de novo no pomar. O cão estava cansado e seus ouvidos ainda doíam. andou até a varanda, onde deitou, permanecendo vigilante.
.........
Acordou com a perua que trazia as crianças da escola estacionando na frente da casa, do outro lado da rua. Tinha tido um sonho estranho! sombras correndo no pomar....Correu até o portão para receber as crianças. A Iris vinha como uma princesinha puxando sua mochila de rodinhas. O pequeno Ivan estava sonolento, devia ter tido um dia cheio de brincadeiras e tirado uma boa soneca no caminho pra casa. Seu Caio, o motorista da perua, com dó de acordar o menino, tomou-o nos braços. A mãe vinha correndinha abrir o portão, com seu avental de bolinhas que sempre usava na cozinha.
O cão ouviu o motor do carro de Iohan virando a esquina. E agora ouvia mais um barulho: irritante, agudo e doloroso nos ouvidos. Era o mesmo som! Lembrou das sombras no pomar, não havia sido um sonho afinal! A mãe atravessou a rua para receber o filho no colo. Iris puxava seu avental, insistindo em mostrar-lhe uma borboleta que tinha feito com lantejoulas. Iohan avistou sua família, eram o que ele tinha de mais precioso. Ainda pensando nos três, seus olhos desviavam-se para um carro que vinha no outro sentido, ao longe mas em velocidade suficiente para o medo. Era uma perseguição a plena luz do dia. Um sedan cinza dirigindo pergigosamente era seguido por uma viatura policial, as derrapagens deixavam um forte cheiro de queimado no ar. A sirene era cada vez mais irritante, ensurdecedora. Iohan viu a cena acontecer na sua cabeça. Ivan estava agora nos braços da mãe e Iris imitava uma borboleta para ela.
O cão também viu a cena. Teria que agir, porque ali estava a prova que os humanos não veem nem ouvem tudo. Correu como nunca na direção dos três e pulou. Iohan assistiu do seu carro sua família cair ao chão, o sedan cinza passando a menos de dez cm deles e o carro da polícia frear bruscamente, virar, capotar 360° e voar por cima deles, girando no ar. Mas não viu o que o cão viu: Muitos vultos brancos aparecendo na hora em que ele pulava, levando ele, a mulher e as crianças um pouco mais longe, soltando-os no meio fio. Mais vultos abraçavam os policiais dentro do carro. Ainda não era a vez de nenhum deles.
Iohan Não entendia como era possível. Abraçou os quatro, regando-os de lágrimas.
Ajoelhado, fez um carinho especial no cãozinho, olhou para os seres celestes que sequer podia ver e agradeceu. Um milagre!
01 setembro 2008
o mesmo
Não tenho certeza de quem foi a primeira pessoa a falar isso.
Mas hoje, é a frase que melhor explica meu medo: minha incapacidade de mudar algumas coisas.
Eu não acho q estou sozinho nessa.
Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu vejo isso transparecer.
Vivendo extamente iguais, equanto der...
... permanecendo imóveis. E assim, se sentem bem de alguma forma.
E se você esta sofrendo, a dor é pelo menos familiar...
Se eu tiver um minimo de fé e sair do meu "mundinho" e fizer
algo inesperado...quem saberá que outra dor poderá estar esperando lá fora?
Ou que pode ser ainda pior..Não ter como sair!
Ai então, mantemos o atual "status", preferindo a estrada já conhecida.
Isso não parece tão ruim, não tanto quanto o "medo" pode ser!!
Eu não preciso ser um viciado, nem está matando niguém...exceto um pouco de mim mesmo, talvez.
Quando finalmente mudar, eu não acredito que isso aconteça como o furacão Katrina ou
a bomba de Hiroshima, onde derrepente tudo que sou vira uma pessoa diferente.
Acho que é muito menor que isso. É o tipo de coisa que a maioria das pessoas não vai perceber, ao menos que elas olhem de perto, bem de perto.
O qual elas nunca fazem.
Da pra perceber isso?
Dentro da gente, essa mudança parece um mundo de diferenças, e assim é que muitas vezes esperamos que seja...
Porque esta é a pessoa que queremos ser. Pra que agente não tenha que mudar dinovo.





